terça-feira, 22 de setembro de 2009

O QUE APRENDI NA ESCOLA

Posso dizer que se um dia eu saí da Escola Ponte

A verdade é que ela nunca mais saiu de mim.

Ainda hoje ela me acompanha, como uma presença silenciosa

Um corpo concreto de experiências, imagens, sensações.

Um rosto sereno de palavras e gestos, expressões.

Foi para mim uma Escola-Mãe, uma Escola-Casa,

uma Escola-Vida, uma Escola-Jardim.

E ainda hoje, ao fim destes anos de distanciamento

Continuo a viver as vivências que me proporcionou,

Sem que delas no passado eu tivesse qualquer consciência.

Continuo a descobrir as descobertas com que me encantou,

Agora no meu presente com redobrada pertinência.

Sendo a primeira escola onde trabalhei

Nunca me tinha apercebido tão claramente

Da sua originalidade, da sua humanidade.

E como escola humana que é, com imperfeições naturalmente.

Como escola viva que é, em revolução permanente.

Foi nesta escola que percebi o significado da palavra: “inclusão”.

Inclusão de Crianças, de Pais, de Profissionais.

Aquilo que muitas vezes apelidávamos de “grande confusão”!

Percebi que fazer uma escola PARA TODOS E DE TODOS

É o maior desafio que nos podemos colocar,

Tarefas de doidos.

Nunca ainda o vi realizar mas nesta escola eu o pude sonhar.

Incluir o que nunca devia ter sido, na sua origem, excluído.

Ligar o que nunca devia ter sido, à partida, separado.

Faz hoje parte do meu trabalho, do meu olhar, do meu estar.

E foi porque VI QUE ERA POSSÍVEL pormos todos,

mesmo todos, JUNTOS A BRINCAR.

Nunca imaginei que fosse possível,

Nunca supus que fosse tão incrível,

É algo que nunca se vai descolar.


Irene Monteiro

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