domingo, 18 de outubro de 2009

VIVER A PONTE

Aquando da visita de Jane Patrícia Haddad ela colocou em livro aquilo que viveu/sentiu na Escola da Ponte. Partilhou comigo o que escreveu e mais tarde colocou em livro algumas das suas experiências. O livro está na página da net da Jane, página que está em link neste blog.

Uma das coisas que me pediu foi uma participação no seu livro. Para mim seria difícil escrever o que me pediu: um capítulo para seu livro. Ainda me sentia muito insegura quanto à minha escrita. Nunca acreditei que seria capaz de escrever. Mas ela incentivou-me de um modo tão forte que eu atrevi-me a colocar em palavras os meus sentimentos.
Assim, partilho convosco aquilo que ficou registado em seu livro, o que eu sinto sobre a Escola da Ponte.

Foi com emoção que li os relatos que Jane faz da sua visita à Escola da Ponte. Hoje, oficialmente, a escola não tem essa designação. Chama-se Escola Básica Integrada Aves/São Tomé de Negrelos. Mas esse nome continua não sendo reconhecido quer pelos profissionais, quer pelas crianças, quer pelos pais, quer por visitantes. Na memória de todos a escola continua a chamar-se Escola da Ponte porque nela se tenta manter o espírito, a filosofia do seu projeto: O Projeto Fazer a Ponte.
A Escola da Ponte não é uma escola. Não é um edifício. É um modo de estar na vida. É uma filosofia de vida. É um PROJETO DE VIDA!
Que ninguém imagine que trabalhar na Ponte é fácil. A Ponte suga-nos o ser. A Ponte vive-se 24 horas por dia. Ninguém fica indiferente à Ponte. Ninguém fica o mesmo depois de passar pela Ponte.
A Ponte está em crise, ouvimos. Mas toda a vida ouvi e vivi essa afirmação. Todos os dias são diferentes, todos os anos são diferentes porque nós somos diferentes entre nós e, também, somos diferentes todos os dias.
Quem quiser fazer Ponte(s) terá que beber o seu ethos, terá que transformar o seu EU transformando-o em um NÓS que modifica o SER. Terá que ter capacidade de sofrer, de resistir, de avançar, de retroceder e saber olhar nos olhos do outro e ouvi-lo não como alguém que o ataca mas como alguém que nos ajuda a ver o evidente. Sim, porque quando estamos envolvidos e implicados num processo, numa acção, não conseguimos enxergar os nossos defeitos, as nossas virtudes. E saber sempre Olhar a Crise como um momento de crescimento, de evolução, de mudança. Mudança que todos queremos com vista a vivermos numa sociedade melhor, mais justa, mais equilibrada. Um Mundo onde os nossos filhos e nossos netos tenham orgulho em VIVER.
Será para mim um prazer enorme que fique registado neste blog aquilo que sempre foi e sempre será a minha vida.

Fátima Pacheco

1 comentário:

  1. Querida Fátima e amigos da Ponte;
    é com muito orgulho que leio e releio as palavras de Fátima em meu livro e confesso que a sinto muito mais preparada do que ela imagina.
    A Escola da Ponte acaba sendo uma referência, gostemos ou não, ela nos comprova que desde que haja uma Equipe a Utopia é realizável. Neste ano de 2009 pude ter o prazer de voltar a Ponte e rever amigos, alunos e avanços.Parabéns a cada um de vocês que nas diferenças conseguiram compartilhar as semelhanças! Como Educadora , acredito na transformação que acontece a partir do processo de Mediação entre Professores e alunos; nas assembléias onde projetos são compartilhados e debatidos...enfim acredito na Educação que parte do Coração e se faz presente no sentido e significado do Aprender a Aprender sempre...para termos certeza de que nada sabemos! Com admiração da sempre amiga e Parceira. Jane Patricia Haddad

    ResponderEliminar