quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Amigos , aqui vai a minha primeira colaboração.


 
Porquê o Brasil?
Se comparadas ao Brasil, as escolas europeias dispõem de melhores recursos. Porém, acumulam-se as teses sobre o mal-estar docente, sem que se vislumbre a cura para a maleita dos professores. As escolas do "primeiro mundo" converteram-se ao mundo digital, mas mantêm e reforçam práticas de ensino obsoletas. Os excelentes profissionais que elas albergam possuem saberes suficientes para romper o círculo vicioso do insucesso, mas o insucesso mantém-se e prospera. As escolas portuguesas têm meios para se firmarem como espaços de democratização, mas estão acomodadas, cínicas.
Há, no Brasil (e em Portugal), muitos professores que dão sentido às suas vidas dando sentido à vida das crianças e das escolas. Sinto-me um privilegiado por encontrar tanta generosidade e responsável ousadia. Em cada viagem, junto mais uma ou duas novas escolas ao já extenso rol. No extremo norte do país, um colégio busca a forma ideal de escola que dê a todos garantias do exercício da cidadania e da realização pessoal. Num hospital do Sul, uma equipe de professores, técnicos de serviço social, animadores e voluntários suavizam os dias de crianças doentes. Num lugarejo perdido no Nordeste, a fé pedagógica faz milagres e produz um ensino que faria inveja a muito colégio (dito) de elite. Junto ao mar de Santa Catarina, crescem as paredes de uma escola sem paredes, que concretizará o sonho de um pequeno grupo de educadores. Em São Paulo, um jardim-de-infância feito à medida da criança comove o visitante mais insensível. Na periferia da metrópole, professores e pais juntam-se a amigos e pesquisadores para dar forma a um projecto que transformou "sala de aula" em "espaço de estudo". No Rio de Janeiro, os sonhos de uma escola ganham forma, fazendo das crianças pessoas mais sábias e felizes. Em Minas Gerais, uma mulher empenha-se na humanização de uma academia de polícia...
O Brasil desconhece aquilo que tem de melhor. Os professores que habitam as escolas invisíveis não recebem reconhecimento público. Por vezes, recebem injustiça, mas dão lições de resiliência. São mal remunerados, mas não usam o baixo salário como álibi. Não auferem de benefícios nem aspiram à celebridade. Fazem milagres com os recursos de que dispõem, que o Brasil não é pobre em recursos humanos, ele desperdiça recursos. Os educadores anónimos que habitam as escolas invisíveis tecem uma rede de fraternidade. Geram esperança, num Brasil condenado a acreditar que, pela educação, há-de chegar a uma cidadania plena.
Quando decidi afastar-me da Escola da Ponte, para permitir que outros a refizessem, não imaginaria ver-me envolvido em novos projectos. Afastei-me, geograficamente, do lugar onde ajudei a concretizar utopias, para não comprometer que outros continuassem a viagem iniciada há mais de três décadas. Porém, no outro lado do mar, esperavam-me novas viagens. E eu não sabia.
Que 2010 te seja benfazejo! 
Abraço fraterno!
José Pacheco

3 comentários:

  1. OLá José Pacheco.....Acho que tens idéia da batalha que é a educação aqui no Brasil. Da forma como almejamos então é quase surreal. Mas a gente tenta e, conseguimos alguns resultados interessantes. Sou educadora, trabalho numa escola para surdos e, faço tudo oque posso para não ser mais uma a passar conteúdos sem sentido. Espero ser um grão a mais nesta praia de ondas a procura de espaço para "espraiarsse"...palavra que inventei agora!!!!!!!
    A Escola da Ponte me parece um foco de resistência.....É possível!!!!!! Obrigada por me mostrar este caminho possível!!!!!
    Adriana Arioli

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  2. POSTAGEM FEITA A ALTURA DO PROF. JOSÉ PACHECO,APROVEITO ESTE COMENTARIO PARA LHES ENVIAR UM ABRAÇO E VOTOS DE SAUDE E TUDO DE BOM NESTE ANO 2010 ASS.FILIPA, FERNANDO, E MIGUEL ANGELO, SEUS ANTIGOS VIZINHOS.

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  3. A gente aqui no Brasil vai aprendendo com você Pachecão!

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